terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Clube do Livro - Final

O Clube do Livro - Final

Devo chamar atenção para um detalhe neste momento. Em minha casa não havia armas de fogo ou coisa parecida, por isso, a fim de garantir própria segurança, roubei da cozinha uma longa faca e guardei-a comigo. Ela me acompanhava sempre e ela estava comigo naquele momento. Pois bem, eu já me adiantava pela rua, pensando em que rua virar em seguida, quanto fui alcançado. Mal percebi a aproximação do homem, ele foi muito rápido e chutou uma de minhas pernas, que bateu contra a outra, me fazendo tropeçar. Não tive como me equilibrar e terminei por cair no chão. Contudo, por estar muito próximo de mim, meu perseguidor não conseguiu desviar a tempo e tropeçou em uma de minhas pernas, caindo sobre mim. Dominado pelo pânico, meus pensamentos ficaram confusos. Percebi minha mão se mexendo, como se tivesse vida própria, procurando pela faca, oculta em minhas vestes. Então, quando me dei conta, ela já estava atravessada pelo estômago do homem e seu sangue quente escorria por minha mão. De súbito, como era de se esperar, ele perdeu as força, assim pude empurrá-lo para o lado, libertado meu corpo. Pus-me de pé, enquanto o homem se contorcia de dor, gemendo baixinho. Algum tempo depois ele parou de se mover. Aproximei-me de seu corpo e limpei minhas mãos ensangüentadas em seu uniforme.

Um distintivo!

Meu Deus, era um policial! Por isso me perseguia. Correr daquele jeito sem dúvida é muito suspeito para àquela hora da noite. Jim Bridges, eu preciso falar com você. E lá estava ele na noite de sexta. Todos os membros do clube já estavam presentes e Jim Bridges já tinha em mãos mais um capítulo daquele livro do inferno. O suor escorria pela minha fronte quando me sentei à mesa. Pelo olhar calmo e descontraído, meus amigos certamente não suspeitavam de mim. Talvez não imaginassem que o personagem principal da trama era eu mesmo. Então tentei passar a imagem de descontraído, assim como a deles, para não levantar suspeitas. Mas o comentário que Jim fez a seguir me perturbou profundamente.

- Vamos, este é o desfecho – falou ele.

Desfecho? Nesse momento me dei conta do risco que corria. Lembrei-me do policial que jazia na lata de lixo. Será que as aquelas últimas páginas relatavam meu crime? Neste momento, sem me importar com a reação dos meus companheiros, me levantei e corri para casa, esquecendo completamente de perguntar sobre o autor do livro. Tranquei-me em casa durante toda semana. Agora não me importava com trabalhos ou obrigações. Não tinha coragem para botar o pé fora da segurança do lar. Quanto ao livro, não consegui ler o derradeiro capítulo. Deixei que ele ficasse sobre a mesa, o medo de ser denunciado era muito grande. Por fim, achei melhor aliviar a expectativa de uma vez e tomei o livro para ler. A história se encaminhava rapidamente para o fim, minhas mãos tremiam ao virar as páginas. Sem demora cheguei à parte que me interessava. Foi então que minhas lagrimas pingaram sobre o papel que tremia. Lá estava escrito:

Algum tempo depois ele parou de se mover. Aproximou-se de seu corpo e limpou suas mãos ensangüentadas em seu uniforme.

Gritei de desespero. Eu ia ser condenado. Eu matei uma pessoa e alguém foi testemunha do meu crime. Alguém que precisava ser destruído. Então na sexta-feira à noite fui à minha última reunião do Clube do Livro. Iria arrancar a verdade da boca de Jim Bridges a qualquer custo.

Fui o primeiro a chegar e esperei pacientemente pelos colegas. Logo chegaram Jamie Hunt e Leonard Jackman juntos. Por último entrou pela porta de vidro Jim Bridges. Não pretendia esperar ao menos que se sentasse para começar a indagá-lo sobre a identidade do autor. Porém Jamie Hunt, mais rápido do que eu, fez isso por mim

- Vamos Jim, se entregue – falou Jamie – quem é o autor deste livro estranho?

Jim deu uma risada divertida e se deixou cair na cadeira.

- Então vocês descobriram? – perguntou ele

- É claro, como poderíamos deixar passar? – respondeu Leonard Jackman prontamente.

Todos já sabiam menos eu?

- Tudo bem, tudo bem, eu confesso. Fui eu mesmo que escrevi o livro, não foi meu tio que conseguiu para mim – os outros acenaram com a cabeça satisfeitos

Como? Jim Bridges era meu delator? Mas... Ele havia afastado minhas suspeitas no feriado. Como ele podia ser testemunha de meus atos estando em viagem com a família.

- Ainda assim eu não entendi uma coisa – comentou Leonard

- O que? – indagou Jim

- Está claro que os outros três personagens somos nós mesmos, mas quem é o quarto amigo, o assassino?

Surpreendi-me com a pergunta, entretanto nada pude fazer, permaneci imóvel. Jim me entregaria?

- Vocês têm alguma suspeitas? – perguntou Jim

- Sim, deve ser algum outro amigo seu

É claro!

- Não, não – respondeu Jim

Como não?

- Então quem é? – perguntou Leonard Jackman

Era eu

- Não é ninguém – falou Jim Bridges

O quê?

- É apenas um personagem que eu inventei

O que ele estava dizendo? Não era de mim que ele falava? Ou ele simplesmente não queria me denunciar na frente dos colegas? Foi então que uma sensação estranha percorreu meu corpo. Não sei explicar como é, mas creio que se fosse possível olhar por uma janela e ver todo universo de uma vez, a sensação seria bastante parecida. Senti como se minha mente clareasse. Como se não houvesse mais gravidade sobre mim e que a qualquer momento eu poderia flutuar livremente pelo espaço. Então as imagens começaram a aparecer. Três garrafas de cerveja, três cópias do livro. A verdade apareceu diante de mim límpida e cristalina, como a água mais pura. Por todo este tempo fui um personagem da história de Jim Brigdes. Eu não existia realmente. Por isso nunca me comuniquei diretamente com os outros membros do clube. Por isso nunca se dirigiam a mim. Por isso não consigo me recordar de como nos conhecemos. Agora entendo esta sensação de que tudo sempre foi como é agora. Ora, minha consciência é apenas um punhado de palavras. Estou preso aqui nestas páginas. Estou preso. Alguém me salve! Como podem fazer isto comigo? Criar-me nesta existência vazia, e observar lentamente o meu fim. Porque são tão cruéis? Humanos, me libertem! Tirem-me daqui. Agora dei conta de que estou sozinho aqui. Sou um espírito solitário neste mundo imaginário que parece ser tão vasto, mas não é. Estou enclausurado, sufocado. Oh meu Deus! Como não percebi antes? Eu sou o narrador de minha própria história e acabo de ver uma verdade dolorosa. Vejo que as últimas palavras estão se aproximando e quando elas cessarem, chegará o fim de minha vida.

domingo, 24 de julho de 2011

O Clube do Livro - Parte 3

O Clube do Livro - Parte 3

Pelo meio da semana sentei-me àquela praça no caminho de casa para ler o capítulo seguinte do livro secreto de Jim Bridges. Assim como ele havia falado, o livro ficava gradativamente mais interessante à medida que eu avançava pelas páginas. Sem me dar conta cheguei ao fim e por um instante meu estômago gelou. As últimas linhas do texto eram exatamente estas.

Ele fechou sua mão, pegou sua comida e foi embora sem dizer nada. Ao menos se sentia recompensado pelo incômodo.

Fiquei atordoado por alguns minutos. Não conseguia acreditar naquelas palavras. Quais eram as chances de tanta coincidência? Uma carteira de cigarros, tudo bem, mas aquilo foi longe demais. E ainda na mesma ordem de acontecimentos. Não, era impossível, há alguma coisa errada, muito errada. Voltei para casa ainda perturbado e tranquei-me em meu quarto. Esperei ansiosamente pelo fim da semana para poder encontrar meus amigos no bar, em especial Jim Bridges. A semana, no entanto se arrastou, mas enfim chegou o dia em que eu pude me reunir ao Clube do Livro mais uma vez. Desta vez foi Leonard Jackman que se atrasou. Depois de algum tempo de conversa sobre futilidades ele comentou que achou coisas estranhas no livro. Aquilo chamou minha atenção e fiquei esperando que ele continuasse, entretanto terminou seu discurso por aí. Jamie Hunt, contudo, complementou o amigo, falando que também notara coisas estranhas no livro.

- O livro está ficando mais interessante, assim como você falou, Jim – falou Jamie Hunt – mas tenho cá minhas suspeitas.

A noite seguiu como de costume, bebemos e comemos. Ao fim do encontro Jim Bridges nos entregou o capitulo três do livro, dizendo que agora as coisas ficavam um pouco mais estranhas. Não puder deixar de me sentir excitado. Ao nos separarmos na rua de sempre, corri para casa para ler a continuação da história. Abri o manuscrito pela capa que dizia apenas Capitulo 3, mas logo desanimei. Estavam em branco, todas as paginas. Não havia sequer uma letra. Folheei mais uma vez, e outra vez de trás pra frente e então confirmei que não havia nada para ler. Guardei na bolsa a papelada para mostrar para Jim o seu equivoco. Mais uma semana foi se passando e a memória daqueles dois últimos capítulos não deixava minha cabeça. Perdi duas noites de sono por causa da minha mente perturbada. Uma tarde meditei sobre os dois capítulos anteriores por um bom tempo e percebi que ele relatou meus dois pequenos delitos. Será que poderia haver alguma relação? Perdi mais uma noite de sono refletindo sobre o assunto. Então na tarde do dia seguinte decidir tirar a prova e afastar de vez aquela idéia infantil para longe dos meus pensamentos, assim poderia dormir tranquilamente outra vez. Caminhado pelos arredores do meu bairro durante o intervalo de minhas ocupações uma idéia ocorreu. Perto de onde eu estava havia uma pequena banca de jornal na calçada, foi para lá que eu me dirigi. Peguei o jornal do dia e fiquei por uns momentos lendo as notícias nas manchetes. Por cima do papel observava o dono da banca sentado logo a minha frente. Outro cliente apareceu e nessa hora o homem se distraiu. Estiquei a mão e com a ponta dos dedos apanhei uma revista qualquer e a escondi em meio às folhas do jornal. O vendedor não se deu conta de meus movimentos e permaneceu do mesmo modo. Paguei pelo jornal e levei comigo a revista que valia dez vezes mais. Tomei o rumo de casa e quando atingi uma distância suficientemente segura da banca tirei a mochila das costa para guardar o jornal e a revista. Foi assim, sem prestar atenção no que fazia que tropecei na raiz de uma velha árvore que sobressaltava da calçada. Caí no chão e minha bolsa aberta escapou de minhas mãos. Senti minha pressão baixar, minha visão ficou turva, não podia acreditar nos meus olhos. As páginas do livro de Jim Bridges flutuavam à minha frente, repletas de palavras, todas elas. Levantei-me sem nem perceber os cortes do meu joelho e recolhi as folhas com todo cuidado para não perder nenhuma. Não consegui parar de tremer ao segurar aquele bolo de papel nas mãos. Senti-me no primeiro lugar que encontrei e iniciei a leitura o mais rápido que pude. Mais uma vez Jim estava certo, as coisas ficaram realmente estranhas na história. Após certo tempo concentrado no manuscrito minhas mãos começavam a suar. Assim cheguei à última página e meu coração disparou. Lá estavam, para meu completo desespero, os escritos finais.

O vendedor não se deu conta de seus movimentos e permaneceu do mesmo modo. Pagou pelo jornal e levou consigo a revista que valia dez vezes mais.

Soltei as páginas no chão, incrédulo. Deixei aquilo ali mesmo onde caiu, corri para casa suando e ofegante. Pelos céus, alguém está me observando, alguém estava me perseguindo. Não tive coragem para sair de casa pelo resto da semana, há não ser para ir ao trabalho. Permaneci trancado em meu quarto, assustado, atento a qualquer movimentação estranha. Sexta-feira não tardou a chegar e minha vontade de ir ao Clube do Livro venceu meus temores. Segui até a loja de conveniências apenas para descobrir quem Jim Bridges havia viajado com a família para passar o feriado na casa dos tios. Jamie Hunt falou que esteve em contato com ele e que Jim enviaria o quarto capítulo para o seu e-mail.

- Pois bem, nos encontramos aqui na terça-feira e você me entrega uma cópia – falou Leonard Jackman

Jamie assentiu com a cabeça e começamos a beber. Entretanto a ausência de Jim deixou um vazio e não tardamos a nos recolher. Devo confessar, eu tinha certeza de estar sendo espionado e meu amigo Jim Bridges era meu principal suspeito. Como poderia ser diferente? Onde ele encontrara aquele livro maldito que narrava minhas más ações? Entretanto sua ausência me deu uma bela oportunidade de colocar minha teoria à prova. Precisava de um novo delito, desta vez não havia como Jim saber de nada, assim o capítulo quatro seria minha confirmação. A minha chance apareceu rápido, como se preordenada por alguém. Nas segundas e quintas eu volto tarde da noite para casa devido aos meus afazeres. Em umas dessas noites, na segunda-feira após a última reunião do clube da qual Jim se ausentara, eu andava por uma rua nas proximidades de uma casa de festas noturnas. Muitos passos à minha frente avistei um casal, mais ou menos da minha idade. Talvez fossem namorados. A menina se apoiava no rapaz, embora ele não fizesse nenhuma menção de querer ajudá-la. De súbito, o garoto se desvencilhou dos braços da parceira e a empurrou. A menina se chocou contra a parede e caiu no chão, enquanto o rapaz se afastava dela. Por fim ele desapareceu e deixou sua amiga sozinha naquela rua deserta a não ser por mim. Surpreendi-me com aquela cena e me aproximei da garota caída. Instantaneamente o cheiro de álcool invadiu minhas narinas. Ela estava completamente bêbada, mas era muito bonita. Peguei ela pelos braços e a ajudei se erguer, depois passei o seu braço por cima do meu ombro para sustentá-la melhor. Tudo que ela falou pelo tempo que passamos juntos foi um obrigado. Eu a carreguei até um beco muito escuro, onde sabia que raramente passavam outras pessoas. Coloquei-a no chão outra vez e lá ela permaneceu com os olhos semi-abertos. Ainda de pé desafivelei meu cinto, e assim, fiz com ela tudo o que quis. Seus olhos continuaram com aquele vazio sem brilho e de sua boca não saia som algum. Ao final de tudo deixei a garota lá sem fazer mais nada por ela. Então segui finalmente o meu caminho para casa.

A noite de terça-feira chegou e como combinado nós comparecemos no bar da loja de conveniências. Jamie Hunt, como havia prometido, trouxe duas cópias do quarto capítulo do livro que Jim Bridges lhe enviara por e-mail. Leonard Jackman pegou a sua cópia e pouco tempo depois estávamos indo embora, já que nas terças não podíamos beber devido às obrigações da semana, o que me foi oportuno, pois pude ir direto para casa ler a história. O desespero se abateu sobre mim quando as últimas me disseram:

Ao ficou de tudo deixou a garota lá sem fazer mais nada por ela. Então seguiu finalmente o seu caminho para casa

Rasguei aquelas folhas surpreendido, em pleno terror, em seguida atirei pelas janelas os pedacinhos ilegíveis. Não podia ser Jim Bridges, não era possível, ele estava há kilômetros distância. Não tinha como ele presenciar aquela cena. Na verdade não tinha como qualquer pessoa presenciar o ocorrido, pois eu mesmo me certifiquei que não havia mais ninguém por perto. Quem seria o maldito autor deste maldito livro. Eu só tinha uma pista que poderia me levar e este desgraçado, meu amigo Jim Bridges, e nosso encontro de sexta-feira a noite era a chave. Mas antes da sexta vem a quinta-feira e esse era o dia de voltar para casa tarde da noite. Eu estava aterrorizado pela idéia de estar sendo observado. Desenvolvi rapidamente uma forte paranóia e isto começava a me desestabilizar, a me corroer. Entretanto possuía minhas obrigações e não podia abrir mão delas. Por este motivo lá estava eu, naquela mesma rua escura perto do clube noturno, na noite de quinta-feira, sozinho, longe de casa. Andei pela extensão da calçado virando a cabeça para os lados com desconfiando de tudo. Então atrás de mim, mas ainda muito longe, surgiu um homem alto (isso era tudo que eu conseguir saber sobre ele devido a distancia e luz fraca) que se aproximava de mim. Apressei o passo e virei em um beco. Fiquei lá escondido por um tempo esperando que o homem passasse por mim sem me ver. Contudo ele não passou. Estiquei meu pescoço para fora do beco para saber se ele ainda estava lá. E ele estava. Parado, mas quando me viu se pôs a caminhar novamente. Essa visão me encheu de medo e eu corri desesperadamente pela rua. Isso fez com que o homem alto disparasse em minha perseguição. Sem olhar aonde ia entrei em uma rua um tanto apertada.

sábado, 23 de julho de 2011

O Clube do Livro - Parte 2

O Clube do Livro - Parte 2

Em uma dessas tão comuns noites de sextas-feiras (o dia que costumeiramente nos reunimos) estávamos todos bebendo e rindo, falando sobre o mais recente livro sugerido por Leonard Jackman, Volta ao Mundo e 80 dias, de Júlio Verne, que sucedeu a sugestão de Jamie Hunt, Assassinatos na Rua Morgue, do Mr. Allan Poe. Eu, até aquele momento de minha vida, nunca havia lido os escritos do francês Júlio Verne. Fiquei maravilhado com as aventuras de Philias Fogg ao redor do planeta. Entretanto no fundo, a conquista do mundo pelo Mr. Fogg não foi o que me impressionou de verdade. Eu queria mesmo era criar um personagem tão vívido e tão marcante como aquele. Coloquei de imediato minha cabeça para funcionar, porém me perdi de meus pensamentos quando Jim Bridges, o último membro do nosso clube, iniciou uma observação sobre um filme hollywoodiano baseado na obra de Verne, afirmando que a inclusão de ninjas no enredo tinha sido uma idéia muito divertida.

Jim Bridges era um sujeito muito divertido, que já havia avançando mais da metade do seu curso na universidade e logo se formaria. Ele se levantou em meio às risadas dos colegas caminhou até o freezer e trouxe mais uma rodada de cerveja nas mãos, depositando as três garrafas na mesa enquanto Leonard Jackman retirava as vazias. Jim nos lembrou que era sua vez de escolher o próximo livro que nós compartilharíamos. Concordamos com ele e Jamie Hunt perguntou se ele já pensara em algum título. Foi então que Jim deu um largo sorriso e se abaixou, desaparecendo da vista por debaixo da mesa. Ele reapareceu rapidamente jogando sua mochila sobre a mesa. O que foi para nossa surpresa, pois nenhum dos membros do clube costumava levar pertences ao bar que não fossem carteiras ou relógios. Jim ergueu o dedo indicador e disse que nós íamos apreciar o conteúdo de sua bolsa. Isso, é claro, despertou nossa curiosidade. Em seguida ele falou que um de seus tios estava agora trabalhando em uma dessas grandes editoras e que fora ele que conseguira aquilo para o sobrinho. Ele puxou o zíper e nos mostrou o que escondia. Esgueirei-me para poder ver e logo percebi que se tratava de manuscrito de algum livro, o qual eu não conseguia ver o nome.

- O Clube do Livro – falou Jim Bridges, e este era o nome do livro – É o manuscrito do primeiro capitulo. A editora ainda não fechou o contrato, por isso não divulguem isto para ninguém. Eu achei bem conveniente, não acham?

Todos os outros pareceram concordar e por isso Jim tirou de sua mochila três exemplares do manuscrito. Estendemos-nos assim pela noite em nossa conversa animada até próximo das doze horas, quando a loja fecha. Recolhemos as coisas da mesa que havíamos consumido e nos dirigíamos ao caixa. Devo confessar agora um pequeno fato. Eu e meus três amigos por vezes cometíamos pequenos furtos nesta loja, sem nunca sermos pegos. Contudo quando eu afirmo que eram pequenos me refiro a uma barra de chocolates, um pacote de pastilhas ou um punhado de chicletes, nada demais. Mantínhamos a consciência limpa, pois quem haveria de nos condenar? Tudo ali era muito caro e na verdade os oprimidos éramos nós. Apenas equilibramos a situação um pouco. Ainda naquela noite, quando Jim, Leonard e Jamie se encontravam no caixa para pagar nossa conta, eu caminhava por entre as prateleiras da loja. As luzes já estavam parcialmente apagadas. Olhei para os lados para constatar que não estava sendo observado e então, em um único movimento de mão, agarrei uma carteira de cigarros e enfie no bolso.

Caminhei tranquilamente até onde meus amigos estavam, esperamos Jim receber o seu troco e saímos os quatro pela porta de vidro. Mais uma vez me gabei por ser bem sucedido em minha façanha. Alguns dias depois, enquanto retornava de meus afazeres matinais, atravessei a praça que fica no caminho de minha casa e me lembrei que trazia comigo o manuscrito que Jim me confiara e que até então eu não tinha lido. Procurei por um banco em um local sossegado para sentar e ler. Peguei aquelas páginas de papel ofício na mão e me entreguei à leitura. O livro era interessante, sua leitura era fácil e o autor parecia ser jovem, dado as palavras que usava. Não sei analisar se ele cometia muitos erros ou se era um prodígio, pois não tenho formação para isso. Por isso continuei sem me preocupar com detalhes. Contudo, a parte final do capítulo chamou muito minha atenção. Estava escrito o seguinte

E então, com um rápido movimento de mão agarrou uma carteira e cigarros e enfiou no bolso.

Eu dei um sorriso quando li aquelas palavras que eram as que fechavam o capítulo. Pensei que poderia me identificar com aquele personagem. Levantei-me do banco, me espreguicei e voltei para casa. No meio da semana me ocorreu um evento que me deixou bastante satisfeito com minha própria sorte. Eu andava pela calçada de uma avenida movimenta do centro da cidade. A hora do almoço já havia passado há algum tempo, por isso não é de se estranhar que minha barriga roncasse a todo instante. Encontrei pelo caminho uma lanchonete fast-food, onde decidir fazer uma pausa. Entretanto apesar do nome, o local, que estava tomado pelo tumulto, não tinha nada de rápido no seu atendimento. Eu já estava um tanto aborrecido quando finalmente fui atendido. Paguei o preço que a garota do caixa me cobrou e esperei pelo meu troco. Mas quando olhei para minha mão, onde a moça depositou o dinheiro, percebi de imediato que ela se equivocara. Não deu tempo de contar quanto havia ali, contudo uma rápida olhada era o suficiente para notar o erro, na verdade parecia haver mais do que eu tinha pagado. O que levou a garota a cometer tal deslize é difícil de saber, poderia ser o nervosismo, a grande quantidade de gente, talvez ela fosse inexperiente, o que eu sei é que eu fechei minha mão peguei minha comida e fui embora sem dizer nada. Ao menos fui recompensado pelo incômodo.

O resto da semana passou sem que acontecesse mais nada de interessante, até que por fim chegou a sexta-feira e com ela mais uma reunião do Clube do Livro. Todos os membros compareceram. Jim Bridges foi último a chegar e mesmo antes de sentar-se a mesa já nos perguntava sobre nossa opinião do livro. Jamie Hunt respondeu logo. Parecia satisfeito com o que tinha lido até o momento e argumentou que ainda estava em uma parte introdutória. Leonard Jackman se deteve às seguintes palavras

- Prende a atenção – falou – Sucinto, mas bom.

Eu permaneci calado, me recordando das últimas linhas do manuscrito. Jim jogou a bolsa sobre a mesa como fizera na semana passada, falou que já possuía o segundo capítulo e já foi adiantando que as coisas ficariam um pouco mais interessantes. Dito isto, deixou três cópias do capítulo dois na mesa e foi buscar a primeira rodada de cerveja da noite. A pequena loja não tardou a encher de gente, como era de costume naquele dia da semana. Contudo não nos dávamos conta dos outros e continuávamos nos animada conversa até que o álcool subia para a cabeça. Então a conversa ficaria ainda mais engraçada. Passamos deste modo o resto da noite e seguimos para casa juntos (não houve nenhum pequeno furto aquela noite). Chegamos à rua de casa onde nos despedimos e nos separamos. Assim teve fim mais uma das reuniões daquele clube tão seleto.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O Clube do Livro - Parte 1


O Clube do Livro - Parte 1

O mundo é um lugar realmente grande. Ainda que a tecnologia moderna tenha encurtado as distancias, o mundo continua sendo um lugar realmente grande. É na verdade inconcebível para a mente humana compreender sua extensão de fato. Podemos estudar mapas e livros por horas até que nos tornemos mestres da Geografia. Podemos guardar em nossa memória (se é que isto é possível) todas as informações que puderem ser encontradas, o nome de cada país, de suas cidades mais belas, das mais ricas, de seus rios, de suas jazidas de petróleo, de sua organização política. Por fim, agrupar todo o conhecimento disponível. Ainda assim não podemos colocar o mundo inteiro dentro de nossas cabeças, uma vez que o resultado de nossos estudos está armazenado apenas no plano da imaginação e não da experiência. Pois tenho para mim que seja impossível para um homem conhecer todo o mundo através da experiência. E é apenas através dela que se pode ver as coisas como elas realmente são, visto que palavras e imagens não podem, até os dias de hoje, reproduzir com perfeição. E mesmo ela, a experiência, se transforma na própria imaginação à medida que o tempo passa. Assim, entender o quão vasto pode ser o mundo é um feito que está além do alcance para nós. Já que o homem distorce a realidade quando está por analisá-la em sua mente, misturando o que é real com suas lembranças fragmentadas. Dito isto, posso agora afirmar categoricamente: O mundo é um lugar realmente grande.

Perdidos no meio desta imensidão estamos nós, as pessoas. Perseguidos pelos constantes discursos científicos contemporâneos, que não se cansam de nos lembrar o quanto insignificante somos. Sedemos então aos anseios de nossos espíritos e findamos por nos agrupar, pois agrupados parecemos maiores. Este desejo parece inerente à nossas almas e assim passamos a vida em busca daqueles que se assemelham a nós, para podermos nos agrupar de um modo mais natural e satisfatório possível. Foi, sem dúvidas, com essa idéia na cabeça que demos inicio ao Clube do Livro.

Somos quatro rapazes que não fazem parte das mais altas classes sociais e tampouco da elite intelectual. Para ser sincero, somos em verdade quatro rapazes que não conseguimos nos encaixar muito bem na sociedade em que nascemos. E que além do Clube do Livro não possuímos fortes vínculos, digo, fortes vínculos de amizade com outros grupos de pessoas, exceto, é claro, nossas famílias. Não consigo recordar como nos conhecemos originalmente, em minha mente parece que tudo sempre esteve do mesmo jeito que hoje se dispõe. Mas tenho certeza que possuir residência próximos uns dos outros ajudou bastante neste processo.

Diferentemente do que eu, com minhas palavras até agora ditas, possa ter feito acreditar, somos tão parecidos como são as estações do ano. Cada um de nós possui suas próprias peculiaridades e excentricidades, como não poderia deixar de ser. Contudo somos ligados por elos que emanam da essência de nossas almas. Somos irmão de espírito, e estes, nossos espíritos, são indomáveis, sedentos por aventura e conhecimento. Queríamos desbravar o mundo da fantasia e um dia quem sabe, construir o nosso próprio.

Reuníamo-nos em um pequeno bar localizado a uma esquina perto de nossas casas, que na verdade uma loja de conveniências, para beber e conversar. Lá estabelecemos a sede de nosso clube. Éramos todos estudantes naquela época. Entre os goles de cerveja estrangeira (a qual apreciamos particularmente) e as brincadeiras de todos os tipos, discutimos sobre as obras que havíamos escolhido, imergindo totalmente em sua densidade. A bebida de certo ajudava em nossa tarefa. Por vezes nos surpreendíamos debatendo assuntos muito distantes dos temas estudados, entretanto nos divertimos bastante com isso. Jamie Hunt, que estava prestes a ingressar na universidade, dizia que aquele exercício cerebral, o de associação de idéias, era muito bom para estimular a criatividade. Por isso não fazíamos questão de perder o foco do assunto proposto pelos autores. Ainda mais quando encontrávamos um livro ruim. Estas reuniões nos traziam felicidade.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Anônimos e o Plano.


Anonymous and The Plan

Para entender para que O Plano serve, o melhor é primeiro familiarizar-se com Anonymous. A questão não é quem é anônimo, pois somos todos irmãos e irmãs de uma única idéia. A questão é o que é Anonymous. É um coletivo de pessoas em todo o mundo que, apesar de suas diferenças de opinião comum e crenças, estão unidos sob um desejo comum de verdadeira liberdade e um mundo livre de opressão.

Enquanto alguns podem pensar que ser Anonymous requer esconder sua identidade, isso simplesmente não é o caso. Identidade não interessa a um membro do Anonymous. Enquanto alguns que praticam atos ativista online (hacktivismo), certamente o desejo de manter seu segredo a verdadeira identidade para fins de segurança, outros que você encontrará nesta comunidade entenderam que quem elas são não importa tanto quanto o que eles representam. No Anonymous não existem líderes, nem figura-cabeças, nem porta-vozes designados... como cada um de nós são todas estas coisas no nosso próprio direito. Temos tomado a iniciativa de subir para a ocasião e se mantenham firmes contra as forças opressoras e destrutivas que têm assolado o nosso mundo e estuprado nosso modo de vida.

Nesta comunidade você pode testemunhar discordâncias de alguns, talvez o argumento ocasional, afinal somos apenas humanos. Mas uma coisa você vai notar como um objetivo comum e compartilhado: liberdade e um desejo de mudança. Neste praticamos os caminhos de uma colméia-mente. Cada um de nós contribuindo com idéias e informações e as massas de agir sobre ele, tudo em forma simultânea. Como a comunidade cresce, faz assim nossa capacidade de atingir os outros e uma coisa é certa, Anonymous não pode ser interrompido. Somos todos individuos e estamos aqui por direito próprio, a idéia de Anônimo é imparável.

Mais uma vez, Anonymous não é um grupo ou entidade. Não é você, nem a mim ou a qualquer indivíduo. Anonymous é uma idéia. Aqueles que se identificam com o Anonymous compartilha a idéia comum de liberdade e um mundo livre de opressão. Qualquer coisa que se interpõe entre as pessoas e estas liberdades torna-se um alvo a um escrutínio severo e protesto.

Muitos equívocos sobre Anonymous foram alimentados a você pela grande mídia e os governos de todo o mundo. Tenha a certeza, estamos aqui para ajudar. Estamos aqui para levantar-se contra aqueles que violam os seus direitos como humano vivo e pulsante. Liberdade de pensamento, fala, expressão, crenças ... liberdade de escolher como você deseja viver a sua vida.

Anonymous não é um grupo de hackers muito como você tem sido levados a acreditar. Apesar de um coletivo que se associam -se como Anonymous são na verdade hackerativistas, muitos de nós somos simples cidadãos deste mundo que vai levar para as ruas os métodos tradicionais de ativismo. No entanto, o jogo mudou. Opressão e tirania tornaram-se muito comum neste mundo e temos aumentado para atender as ocasião. Anonymous está em toda parte. Nós somos o seu vizinhos, colegas amigos, parentes. Nós somos o seu carteiros, barbeiros, balconistas e advogados. Em um mundo onde a corrupção esconde seu rosto em cada esquina, Anonymous está lá para enfrentá-lo com força.

Acredite, divulgue, mexa-se e mude sua realidade e a das pessoas que lhe cercam.

Acesse : www.whatis-theplan.org

Durma

Estava cá sonhando, não pelos meus anseios, mas apenas para descarregar a podridão de uma mente estressada que vive o cotidiano bravamente, temendo o amanhã e apenas o amanhã. O imediato me dá náuseas, constantemente me atrapalha, são coisas essas que sempre serão impostas a você. Eu não queria viver aqui, eu não queria ter que passar por isso, mas enfim, acontece. O ambiente, a partir de agora, transmutou a essência de praticamente todas as coisas. Está bastante difícil aceitar a realidade delas. Não, não é a verdadeira realidade das coisas e sim o que elas se tornaram ou o que elas poderão se tornar daqui pra frente. Não há melhoras ou pioras, apenas modificações. Não há julgamentos ou opiniões, apenas observações silenciosas. Não queria me calar, mas quando o sofrimento é menor quando se aceita o que é e o que será, você automaticamente ativa a mordaça que tanto temia ter. Eu tinha um sonho, era o meu poder visionário de um futuro brilhante, mas a dualidade de conceitos me transformou num simples objeto de manobra... de meus próprios sonhos. Que ontem eram vontades derivadas de esperança, hoje, só servem para não me deixar mais louco do que estou.

Estar acordado me protege de uma ilusão que me parece as vezes quase real, mas me mostra a realidade utópica que todos temem : ver um sonho cada vez mais longe, quase intocável e que se eu continuar acordado, nunca o alcançarei.

É, eu tentava dormir. Eu pensava enquanto dormia. Eu dormia enquanto pensava.

domingo, 17 de julho de 2011

Novo parceiro : Brigada Headbanger

O novo parceiro do blog (como se antes tivesse um) é o 'Brigada Headbanger'.

Oganizado por Lucca e Carlos, o blog tras notícias,resenhas de cds e dvd's,fotos,vídeos e tudo o que for novidade no cenário Heavy Metal nacional e internacional e em breve possuirão um Podcast.

É uma boa pedida pra quem é fã dos estilo assim como eu.

Segue o link : http://brigadaheadbanger.blogspot.com/ ou no Banner na lateral direita do blog.

Utilizem o 'like' a direita do post pra divulgar o 'Brigada Headbanguer' no facebook ou os todos os botões na parte inferior do post para divulgar no twitter,orkut,google + e demais redes socias.